quarta-feira, 30 de julho de 2014

VESTÍGIOS   AÇORIANOS  


ARES DE MILONGA, NAS RUAS DE PORTO ALEGRE



Ainda, prestando uma singela homenagem a um porto "não muito alegre"  segui o mapa de Quintana, perdendo-me nas ruas do Bom Fim. Atravessando a Osvaldo Aranha, senti os ares da cidade,escutei o som difuso vindo do Araujo Vianna, ocidente,reitoria... 
A música sempre invadiu minha alma, entrava pelas janelas do Instituto de Educação, convidando a matar  aula. Morando na Antão de farias, uma quadra e meia me distanciava de judeus e hare krishna. Comia prachada a noite no templo da Tomas Flores,  nos domingos de manha, uma vizinha convidava para os cultos judaicos na sinagoga, na Barros Cassal. Ana Fagundes,colega de classe, prima de Neto Fagundes, mas nada tradicionalista, arrastava as magras do bonfa até o bar João. Tradicionalmente depois dos shows no Araujo, reitoria...os músicos da terra mantinham o ritual de oferecerem  vinho de garrafão aos camaradas. No meio da Antão, uma casa  quase em pedaços me separava do atelier de Ibere Camargo. Do terraço do meu prédio eu sentia o cheiro de tinga,  espiava-o pintando.  Sonhava em ser artista, um diabinho estava perto e me escutou. A cidade  era bem mais alegre e colorida do que as  telas do grande pintor. Subindo a Osvaldo, cheguei  quase até o fim  da Protásio, indo estudar um pouco de História na FAPA segurando pesados livros. Em fins de semana, panfletos e bandeiras de todos os partidos, eram carregados com entusiasmo, por mãos de quem acreditava e construía um futuro mais democrático e liberal, incluído todas as tribos. Um futuro, que não voltará nunca mais e estará para sempre, guardado na lembrança de quem  viveu distraída, nas ruas de Porto Alegre, olhando as faxadas estranhas dos prédios,  andando descalça na redenção, molhando os pés no Guaíba em dias quentes de verão.
 Quem viver verá, que não foi em vão, o tempo mostra que de tudo, sempre sobra alguma coisa. 
 Nico Nicolaiewsky,  Mario Quintana, Ibere Camargo, Cine Bristol, Ocidente, Terreira da Tribo, Associação Macrobiótica, Colmeia....Bar João, Uni música, Uni cena, Magros do bonfa, Araujo Viana, tardes na redenção...
                                Minha homenagem!
                                                              Denize Domingos









domingo, 13 de julho de 2014

 Projeto Vestigos Açorianos
   Um trabalho de arte integrada que conta com o apoio da secretaria Municipal de Cultura e FAC





Este trabalho trata-se de uma homenagem ao povo açoriano. A partir da seleção de imagens,   representativas de cada  cidade participante do projeto, uso uma técnica aplicada em cerâmica  relembrando antigos azulejos portugueses. Estas peças serão fixadas em fachadas de prédios, ficando expostas permanentemente. As pesquisas de imagens, levaram-me a um mergulho no passado, me envolvendo  em fantasiosas aventuras, romances , tristezas e alegrias que suponho fazer parte de muitas histórias não contadas.  Então... Faço uso da licença poética e  confidencio aqui, alguns segredos. 











Foi longa a travessia... Aqueles que venceram os desafios do mar, derramaram sobre ele as ilusões, sepultando-as no fundo das salgadas águas do atlântico.Determinados e fortalecidos,desembarcaram no porto de Rio Grande, desbravaram o continente, semeando esperanças e  sonhos. Dizem, que a primeira imigrante açoriana  a desembarcar  do navio, retirou seus sapatos para sentir  a terra firme acariciar seus pés.




































Projeto de arte que sera aplicada em cerâmica
fotografia; Kin Viana



Ilha do faial, janeiro de 1756

Alfonsina

Querida amiga, não imagina o quanto me alegrastes enviando-me uma carta informando que chegastes a salvo no continente. Estava certa de que serias capas de enfrentar todas as agruras e riscos desta longa viagem, e também, superar as desilusões e magoas que plantamos em teu doce coração.

Fostes ingênua, acreditando que o povo da aldeia seria capaz de compreender e perdoar tua ousadia,afrontando nossos costumes, sorrindo para os gajos, dançando sozinha no centro das rodas em dias festivos da igreja. E ainda, passeava acompanhada de outra rapariga atrevida como tu. Usavam os cabelos soltos esvoaçantes, chamando a atenção, andavam descalças na areia. Ficaste difamada e as mães das moças de família ,não permitiam que elas fossem vistas perto de ti.Estimada amiga, como me arrependo por ter dado ouvidos aquelas beatas. Rezei e pedi perdão, Deus foi generoso contigo, permitindo que um ateu, descrente, te tomasse como esposa. Meu irmão nunca te esqueceu e se culpa por ter sido tão intolerante. Alfonsina, saístes daqui com outros casais de aventureiros para fazer tua vida num pais distante. O Brasil tem um clima tropical, poderás andar sempre com os pés descalços e até banhar-se em cascatas, rios... Mas fique longe do mar, não conte a ele teus segredos, ele não perdoa os filhos de Portugal que preferem  as águas doces. E por fim, quando olhares para a lua, lembre dos muitos pedidos que fizemos, e realize todos teus sonhos, minha boa e leal amiga. 

Com carinho daquela que gostaria de ter sido tua cunhada:
           Maria Teresa

                                                               Canção do mar
                                                                   Dulce pontes

terça-feira, 8 de julho de 2014




Vestígios Açorianos 


Os filhos das ilhas dos açores, tem a certeza de que antes de conquistarem qualquer continente, precisam  desvendar os mistérios do mar. 




... Em terra firme, ou  descalços na areia, molhando os pés  nas águas  do mar, estamos  todos a deriva de nossos sonhos e vontades. Somos como  efêmeras embarcações, enfrentando  bons ventos ou tempestades.   Fortes correntezas, calmarias, nos levarão a diferentes destinos, feito  barcos, deslizando embalados em cândidas espumas, ou resistindo a violentas ondas.  Tendo  velas à solta, não existe caminho, somente a necessidade de  seguirmos em frente, sempre em busca de algum ideal. Tentamos conduzir este barco, segurando firme o seu  leme, dando  sentido ao curso. Mas as forças da natureza, são  invencíveis. 
Ter a certeza de que;  "NAVEGAR É PRECISO"  viver é consequência  desta maravilhosa aventura, estando as mares  favoráveis ou não. 
DD



                             
                                                                         Imagem; www.lojaorigini.com.br


                                                 Oração de Um Naufrago 
                                         


                                              Navego e naufrago em águas revoltas,
                    com a leveza de quem flutua nas nuvens e a certeza de quem precisa chegar.
                   Não importa as forças das tempestades; As mares me conduzem até a praia
                    DD
                         


                                                                            Música: Alfonsina Y El Mar
                                                                                       Mercedes Sosa 



Poucos sabem que foi da mente privilegiada de PETRARCHA, poeta italiano que viveu entre 1304 e 1374, que nasceu a frase imortalizada por FERNANDO PESSOA: "NAVEGAR É PRECISO; VIVER NÃO É PRECISO", usando o verbo precisar não na acepção de necessitar (como, erradamente, quase todos o fazem) mas no sentido correto de ser exato. "A Navegação é uma ciência exata, em comparação com a Vida, que sabemos onde começa e jamais onde termina!" 

Fernando Pessoa deu-lhe outros significados.

                                                          https://br.answers.yahoo.com/question/


                                                                                          DENIZE DOMINGOS 
                                                                                         ARTISTA PLÁSTICA 
                                                          
                                    Projeto Vestígios Açorianos, um trabalho de arte integrada