domingo, 13 de julho de 2014

 Projeto Vestigos Açorianos
   Um trabalho de arte integrada que conta com o apoio da secretaria Municipal de Cultura e FAC





Este trabalho trata-se de uma homenagem ao povo açoriano. A partir da seleção de imagens,   representativas de cada  cidade participante do projeto, uso uma técnica aplicada em cerâmica  relembrando antigos azulejos portugueses. Estas peças serão fixadas em fachadas de prédios, ficando expostas permanentemente. As pesquisas de imagens, levaram-me a um mergulho no passado, me envolvendo  em fantasiosas aventuras, romances , tristezas e alegrias que suponho fazer parte de muitas histórias não contadas.  Então... Faço uso da licença poética e  confidencio aqui, alguns segredos. 











Foi longa a travessia... Aqueles que venceram os desafios do mar, derramaram sobre ele as ilusões, sepultando-as no fundo das salgadas águas do atlântico.Determinados e fortalecidos,desembarcaram no porto de Rio Grande, desbravaram o continente, semeando esperanças e  sonhos. Dizem, que a primeira imigrante açoriana  a desembarcar  do navio, retirou seus sapatos para sentir  a terra firme acariciar seus pés.




































Projeto de arte que sera aplicada em cerâmica
fotografia; Kin Viana



Ilha do faial, janeiro de 1756

Alfonsina

Querida amiga, não imagina o quanto me alegrastes enviando-me uma carta informando que chegastes a salvo no continente. Estava certa de que serias capas de enfrentar todas as agruras e riscos desta longa viagem, e também, superar as desilusões e magoas que plantamos em teu doce coração.

Fostes ingênua, acreditando que o povo da aldeia seria capaz de compreender e perdoar tua ousadia,afrontando nossos costumes, sorrindo para os gajos, dançando sozinha no centro das rodas em dias festivos da igreja. E ainda, passeava acompanhada de outra rapariga atrevida como tu. Usavam os cabelos soltos esvoaçantes, chamando a atenção, andavam descalças na areia. Ficaste difamada e as mães das moças de família ,não permitiam que elas fossem vistas perto de ti.Estimada amiga, como me arrependo por ter dado ouvidos aquelas beatas. Rezei e pedi perdão, Deus foi generoso contigo, permitindo que um ateu, descrente, te tomasse como esposa. Meu irmão nunca te esqueceu e se culpa por ter sido tão intolerante. Alfonsina, saístes daqui com outros casais de aventureiros para fazer tua vida num pais distante. O Brasil tem um clima tropical, poderás andar sempre com os pés descalços e até banhar-se em cascatas, rios... Mas fique longe do mar, não conte a ele teus segredos, ele não perdoa os filhos de Portugal que preferem  as águas doces. E por fim, quando olhares para a lua, lembre dos muitos pedidos que fizemos, e realize todos teus sonhos, minha boa e leal amiga. 

Com carinho daquela que gostaria de ter sido tua cunhada:
           Maria Teresa

                                                               Canção do mar
                                                                   Dulce pontes

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