ARES DE MILONGA, NAS RUAS DE PORTO ALEGRE
Ainda, prestando uma singela homenagem a um porto "não muito alegre" segui o mapa de Quintana, perdendo-me nas ruas do Bom Fim. Atravessando a Osvaldo Aranha, senti os ares da cidade,escutei o som difuso vindo do Araujo Vianna, ocidente,reitoria...
A música sempre invadiu minha alma, entrava pelas janelas do Instituto de Educação, convidando a matar aula. Morando na Antão de farias, uma quadra e meia me distanciava de judeus e hare krishna. Comia prachada a noite no templo da Tomas Flores, nos domingos de manha, uma vizinha convidava para os cultos judaicos na sinagoga, na Barros Cassal. Ana Fagundes,colega de classe, prima de Neto Fagundes, mas nada tradicionalista, arrastava as magras do bonfa até o bar João. Tradicionalmente depois dos shows no Araujo, reitoria...os músicos da terra mantinham o ritual de oferecerem vinho de garrafão aos camaradas. No meio da Antão, uma casa quase em pedaços me separava do atelier de Ibere Camargo. Do terraço do meu prédio eu sentia o cheiro de tinga, espiava-o pintando. Sonhava em ser artista, um diabinho estava perto e me escutou. A cidade era bem mais alegre e colorida do que as telas do grande pintor. Subindo a Osvaldo, cheguei quase até o fim da Protásio, indo estudar um pouco de História na FAPA segurando pesados livros. Em fins de semana, panfletos e bandeiras de todos os partidos, eram carregados com entusiasmo, por mãos de quem acreditava e construía um futuro mais democrático e liberal, incluído todas as tribos. Um futuro, que não voltará nunca mais e estará para sempre, guardado na lembrança de quem viveu distraída, nas ruas de Porto Alegre, olhando as faxadas estranhas dos prédios, andando descalça na redenção, molhando os pés no Guaíba em dias quentes de verão.
Quem viver verá, que não foi em vão, o tempo mostra que de tudo, sempre sobra alguma coisa.
Nico Nicolaiewsky, Mario Quintana, Ibere Camargo, Cine Bristol, Ocidente, Terreira da Tribo, Associação Macrobiótica, Colmeia....Bar João, Uni música, Uni cena, Magros do bonfa, Araujo Viana, tardes na redenção...Minha homenagem!
Denize Domingos

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