Este projeto conta com o apoio do PRÓ-CULTURA DO RS
Imagem : blog de dança folclórica da Ilha dos Açores
Projeto Vestígios Açorianos: Um trabalho de arte integrada, unindo artes plasticas, literatura e historia, dando um toque poético e surrealista a imigração açoriana.
Páginas em branco
... A história se faz, inerente ao medo, coragem ou vacilo. Cada passo, atitudes, suspiros de
arrependimentos, alegrias e saudades, dão sentido e aprumam linhas tortas, escritas com otimismo ou apatia, somando conteúdo há brancas paginas deste livro emocionante da vida.
Dúvidas cobram respostas, argumentadas por suposições ou verdades, jamais confirmadas se não embarcarmos de peito aberto, rumo ao desconhecido. Cativos em nossas próprias ilhas, que limitam e protegem, o inconformismo e coragem instigam a busca de novos desafios.
Tendo o horizonte como meta, ao tentarmos alcança-lo, a cada passo, se faz mais distante, tornando nossa jornada exaustiva, estimulante e infinita.
Alguns imigrantes indecisos, lamentaram terem abandonado as ilhas, temiam a viagem, partindo apenas em busca de terras, intuindo desembarcarem em um porto seguro. Foram abandonados pela sorte, entregues ao acaso, não chegando em seus destinos. Tiveram seus sonhos e viagem interrompida, os corpos lançados no oceano, perdendo-se em sua vastidão. Amparados por afáveis ondas, são gentilmente levados a superfície, alem do tempo e espaço. Depois de embriagarem-se em amargos segredos, guardados nas frias águas do atlântico, a brisa do mar os acolhe em seus braços. Sentem a paz que os faz levitar, voam alto com as gaivotas, libertando-os para que escrevam suas histórias, em paginas indiscretas e curiosas, que aguardam e cobram necessárias respostas.
Denize Domingos
Adriano Correia de Oliveira
Canção Terceira
Fundo do Mar - Poema de Sophia de Mello Breyner
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
VESTÍGIOS AÇORIANOS
As marés do atlântico, levaram para longe os filhos de Portugal. À revelia de redes e anzóis, ele brada ao continente, se fazendo escutar. Saudosa, distante das ilhas dos açores, durante o dia, ela semeava a terra. As lavouras douradas de trigo, lembravam-na das ondas inquietas, resplandecendo o horizonte. Em noites insones, se dispersava, sentindo no ar o aroma trazido de tão distante, pela brisa do oceano, vagando lânguida nos pampas, guardando consigo... os segredos do mar.
DD
Imagem: Caminhodasemoções.blogspot
voz e aroma
A brisa vaga no prado, Perfume nem voz não tem; Quem canta é o ramo agitado, O aroma é da flor que vem. A mim, tornem-me essas flores Que uma a uma vi murchar, Restituam-me os verdores Aos ramos que eu vi secar...
E em torrentes de harmonia Minha alma se exalará, Esta alma que muda e fria Nem sabe se existe já.
Maragatos ou Chimangos Eles defendiam ideais com palavras bonitas nos lábios, garruchas e espadas nas mãos... E lanceiros negros, a frente dos exércitos republicanos ou imperialistas, dando cobertura a generais e soldados
Imagem: goncalodecarvalho.blogspot.com
Piratini, a primeira capital Farroupilha
janela do sobrado onde se instalou o Ministério da Guerra Farroupilha durante a revolução.
Foto: Acervo DD
Janela do Palácio do Governo Farroupilha, onde o General Bento Gonçalves acenou para o povo que comemorava a independência da província.
Foto: Acervo DD
Foto: Acervo DD
Detalhe de um armário secreto, no interior do sobrado onde serviu de Palácio do Governo Farroupilha
Foto: Denize Domingos
Na primeira capital Rio-Grandense, em Piratini, a casa de família, propriedade do Capitão Manuel Gonçalves, abrigou durante a revolução farroupilha, o Palácio do Governo.
Em 1835, O general Bento Gonçalves, foi informado sobre a vitória da batalha travada contra forças imperiais, conhecida como a batalha do seival, comandada pelo general Antonio de Souza Neto. Sem oconhecimento do líder farroupilha, Bento Gonçalves, General Neto proclama a independência da província, tornando-a uma nação republicana independente. No local onde os lideres farroupilhas se encontravam para definirem estratégias de guerra, o Presidente da Republica Piratini debruça-se na janela do sobrado, saudando maragatos e o povo da província, que tornara-se capital. Diante da janela, com a bandeira republicana hasteada, um oratório disfarça uma passagem secreta. Por tras da porta, sempre cerrada, há um balcão, onde as mulheres e crianças se escondiam protegendo-se de ataques. Nem um líder revolucionário, estrategistas de guerras, permitiam ou ensinavam mulheres a usarem armas, para defenderem-se de abusos.
A terceira, dos dez filhos do casal Bento e Maria Antônia, descendentes de imigrantes açorianos, após a morte do pai e o
casamento da irmã mais velha, teve que ajudar no sustento da família. Por
insistência da mãe, casou-se aos quatorze anos de idade, com Manuel Duarte de
Aguiar, em 30 de agosto de 1835. Três anos depois, o marido alistou-se no exército
imperial, abandonando a jovem esposa.
...Uma história bastante comum,não fosse a jovem, uma Anita, ou não houvesse
um Giuseppe Garibaldi, cruzado o seu caminho. A grande heroína, sem família nem lar, certamente
teria um destino bem diferente, seguindo umhomemcom lenço branco amarrado no pescoço, ou um maragato valente,que a escondesse dentro de um armário.
Denize Domingos
Sete Luas
Fafá de Belém
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Vestígios açorianos
Igreja Matriz de Santo Antonio da patrulha Foto: acervo DD
A presença dos casais açorianos em Santo Antônio da Patrulha deu-se por volta de 1760, sendo alguns fugidos de Rio Grande devido a invasão de espanhóis e outros avulsos. Mas só em 1771 que oficialmente o Governador da Capitania recebeu ordens de assentar casais açorianos em Santo Antônio da Patrulha. Os imigrantes recebiam pedaços de terra de tamanho variável. Segundo o Monsenhor Ruben Neis, foram 28 casais que se localizaram entre a sede do povoado (hoje a Vila de Santo Antônio da Patrulha) e as terras da Lagoa dos Barros. Alguns imigrantes abandonaram suas datas buscando terras em outras localidades, enquanto outros ilhéus ou descendentes os sucediam. A partir daí torna-se morfologicamente definido o primeiro núcleo de povoamento, que é hoje um núcleo histórico localizado na Cidade Alta.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Vestígios Açorianos
O que significa este projeto? Idealizadora: Denize Domingos Produtora Cultural: Renata Beker
Este projeto cultural, em síntese, trata-se de uma homenagem ao
povo açoriano. Através da integração das artes plásticas, literatura e história, proponho uma viagem ao passado. As placas de cerâmica, ilustradas com imagens peculiares de cada cidade contemplada pelo projeto, retratam antigos azulejos do período colonial,resgatando a presença do povo açoriano. Vestígios do passado, são capturados por lentes de uma câmera fotográfica. Mas... é a sutil e criativa presença do artista, que atravessa as fronteiras do passado, escutando confissões reveladas por paredes que ocultam muitos segredos. Ao andarem pelas ruas destas cidades, vão se deparar com alguns destes azulejos, isso, sera um convite, para que mergulhem no passado. Cada cidade, recebera um catalogo, contendo informações históricas referentes as imagens, fotografias e sobre tudo...
... Alguns segredos de família
Imagem Blog Trajes típicos
Brasil, Gravataí RS 05 de junho de 2014
Projeto Vestígios Açorianos
A realização deste projeto, não seria possível sem a participação e colaboração de algumas pessoas, e a simpatia de muitos. Todas esperam ansiosas verem as placas de azulejos em estilo açoriano, instaladas nas faxadas de prédios, espalhadas em quatorze cidades gauchas. Estas placas serão ilustradas com prédios, monumentos, construções de diferentes épocas e estilos, retratando a história de cada cidade, mostrando seus diferenciais, integrando-as na homenagem ao povo açoriano. O Porto, que em 1752 recebeu os sessenta casais açorianos, que desembarcaram na vila de Rio Grande e estavam em transito para as missões, ficou conhecido como o porto dos casais, tornando-se um Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. As dez peças de azulejos que serão colocadas no antigo porto dos casais,terão suas replicas enviadas a Portugal, aos cuidados do escritor Vicktor Reis. Alem das placas, cada cidade recebera um catalogo, com alguns textos e imagens. Este trabalho, trata-se de uma integração de artes plasticas, literatura e história. Agradeço a todos, que de alguma forma contribuíram e estão participando desta homenagem ao povo açoriano:
Pró Cultura do estado, Renata Becker, Ana Mafra, Fundarc Gravataí, Caergs - Casa dos Açores do RS, Claudio Wurlitzer, Cristina Pacheco,Gerson Jung, Ananda Jung, e.... todos os outros que fazem parte desta história.
Meu carinho e agradecimento a todos. Denize Domingos
Imagem: devaneiodemulher.blogspot.com
Julho
175 2, a bordo.
Mãezinha, há seis semanas estamos a navegar, e penso que se passou uma eternidade.
Tão pronto embarcamos no navio os pertences de todos
imigrantes foram revistados. Retiraram armas, diários, papel, tinteiros e
penas, para não registrarmos a agonia que estamos enfrentando
a bordo deste navio. Escondi um papel de embrulho em meu peito, não fui
revistada, pois minha gravidez já é aparente e meus seios estão
fartos. Com um toco de carvão em um papel amassado,
escrevo -lhe estas palavras. Nossa pequena Maria arde em febre, estou
desesperada com medo do que possa acontecer. Não posso demonstrar
meu desespero, tenho medo que todos percebam que esta enferma e arranquem-na de
meus braços. Levariam minha pequenina para o porão do
navio,onde ficam os doentes infectados por cólera, tifo e febre
amarela. De lá só saem mortos, para serem jogados ao mar . Temo que o
pior aconteça, então, rezo e choro baixinho. Alivio-me lhe
escrevendo estas palavras. Mãezinha, peça a Nossa Senhora
pelo pronto restabelecimento de Maria. Manuel é um bom homem, tenta
me encorajar. Dentro de longas semanas desembarcaremos no
Porto da Vila do Rio Grande, no sul do Brasil. Certamente a coroa Portuguesa
providenciou nossa chegada, estarão nos aguardando no porto,
com mantimentos, carroças e as terras estarão a nossa
espera para serem cultivadas. Tudo que mais desejo é ver a pequena Maria
brincando e correndo livre, com seus cabelinhos soltos, pelas plantações de
trigo. Mãezinha, amo muito vocês, sinto muita saudade. Diga ao pai que me
perdoe por todo o desgosto que causei. Mandarei recursos
assim que nos estabelecermos em nossas terras e
recebermos pela venda das primeiras
colheitas.
imagens ilustradas em azulejos, revelando histórias do passado...
Titulo: Chegada dos Casais Açorianos (foto), de Augusto Luiz de Freitas,
Acervo do IE Instituto de Educação de Porto Alegre
Homenagem aos imigrantes que não chegaram no Brasil.
Brasil, Vila do Rio Grande, Maiode 1752
Estimado irmão
Pedro, valoroso amigo e irmão mais velho, a muito tempo dividimos alegrias, angustias e
segredos, ainda preciso de ti. Já a alguns meses, todos que resistimos a viagem, chegamos no Sul do Brasil,
aportando na Vila do Rio Grande, rumando esperançosos as Missões.
Os ilhéus, assim
somos denominados, ainda não fomos assentados
nas terras prometidas pela coroa
Portuguesa, tão pouco, obtivemos dela, qualquer recurso. Aqui há muitas terras férteis, mas passamos por muitas necessidades. Há precariedade de abrigos, privações de remédios, mantimentos,
ferramentas e escassez de mudas e sementes para plantio.
O quarto de légua em
quarto, concedido por cabeça de casal imigrante, ainda não foram demarcados. Estamos nos alimentando precariamente com frutas, alguns legumes e hortaliças de fácil
plantio e rápido crescimento. Os casais com crianças tem dificuldade em
conseguir uma vaquinha para ordenha. Nossos
sonhos são como as plantações de trigo, precisam serem
semeados em terrenos férteis
onde possam serem cultivados e colhidos. Amanha sedo, surge uma nova esperança, sessenta casais
serão conduzidos até o Porto de Viamão,
na sesmaria de Gerônimo de Ornellas. Estes sessenta casais serão os primeiros ilhéus que de lá, partirão para povoarem alguma vila ou
freguesia, onde se estabelecerão em suas
terras, para começarem uma nova vida, impulsionado
o desenvolvimento de uma nova cidade colonizada por nós.
Querido irmão, parto para esta nova vida com metade de meu
peito dilacerado. Sinto informar-lhe que
minha adorada esposa e filha não resistiram as agruras da viagem. A pequena Maria adoeceu depois de algumas semanas a bordo do navio. A água que bebíamos era pútrida. Maria foi definhando aos poucos e Luíza, não permitiu
que a tirassem de seus braços para resguardá-la
em quarentena no porão. Minha amada companheira também adoeceu, vindo a falecer poucos dias depois de nossa
pequenina. Penso que Luiza morreu de tristeza por sentir o infortúnio de ter o corpinho de
Maria inerte e gelado junto ao dela.
Peço-lhe a caridade
de guares este segredo, não contes a ninguém, pois de nada adiantaria dividir com
mais alguém o meu arrependimento e remorso por ter embarcado nesta ambiciosa aventura arrastando comigo meu maior tesouro.
Os pais de Luiza se horrorizariam sabendo que a única filha e amada neta,
flutuam em desalento no mar, tendo suas
almas vagando pela praia, sem terem
recebido as bênçãos de um santo padre. Rezo por elas a cada momento de minha triste
vida, daqui pra frente, sei que meus dias serão eternamente gris.
Fecho meus olhos e as vejo, envoltas em velhas e manchadas lonas, amarradas em desfiadas cordas, sendo lançadas ao mar. Com
elas, foi-se parte de mim, naufragaram meus sonhos, e assim como eu, outras almas entristecidas precisam seguir vivendo. Logo após desembarcar no porto da vila de Rio
Grande, conheci uma viúva que viajou no navio em que eu estive. Ela também lamenta
a morte do marido. Sem
ilusões no futuro, unimos nossos destinos, para compartilharmos o pouco que nos restou de esperança. Seremos um destes sessenta casais, que ao amanhecer
estará partindo uma vez mais para uma nova aventura. Ao desembarcarmos em algum lugar longe da nossa querida ilha dos açores, qualquer porto será para nós o porto da saudade, das dores ou de Dolores, que será no futuro, um Porto Alegre, pois nossos
descendentes açorianos, não saberão da
angustia que vivemos. Seremos lembrados por nossa coragem e espirito aventureiro, assim desejamos. Haverão de celebrarem somente nossa coragem e as alegrias trazidas de nossa pequena ilha, e a esperança que para todo o sempre, em nossas futuras gerações, há de vingar.