domingo, 29 de junho de 2014



VESTÍGIOS  AÇORIANOS 




Este projeto conta com o apoio do PRÓ-CULTURA DO RS

      Imagem :  blog de  dança folclórica da Ilha dos Açores

Projeto Vestígios Açorianos: Um trabalho  de arte integrada, unindo artes plasticas, literatura e historia, dando um toque poético e  surrealista a  imigração açoriana.


 Páginas em branco


... A história se faz,  inerente ao medo, coragem ou vacilo. Cada passo,  atitudes, suspiros de
arrependimentos, alegrias e saudades, dão sentido e aprumam   linhas tortas,  escritas com  otimismo ou apatia,  somando conteúdo há  brancas paginas deste livro emocionante da vida. 
 Dúvidas cobram respostas, argumentadas por suposições  ou  verdades,  jamais  confirmadas se não embarcarmos de peito aberto, rumo ao desconhecido. Cativos em nossas próprias ilhas, que limitam e protegem, o inconformismo e  coragem  instigam a busca de  novos desafios. 
 Tendo  o horizonte como meta, ao tentarmos alcança-lo, a  cada passo, se faz mais distante, tornando nossa jornada exaustiva, estimulante e  infinita. 
Alguns  imigrantes indecisos, lamentaram  terem  abandonado as ilhas, temiam a viagem, partindo apenas   em busca de terras, intuindo desembarcarem em um porto seguro. Foram abandonados pela sorte, entregues ao acaso, não chegando  em seus destinos. Tiveram seus sonhos e viagem  interrompida, os corpos lançados no oceano, perdendo-se em sua  vastidão. Amparados por afáveis ondas, são  gentilmente levados a superfície, alem  do  tempo e espaço. Depois de embriagarem-se em  amargos segredos, guardados nas frias águas do atlântico, a brisa do mar os acolhe em seus braços. Sentem a paz que os faz levitar,  voam  alto com as gaivotas,  libertando-os  para que escrevam suas histórias, em paginas indiscretas e curiosas, que aguardam e cobram  necessárias respostas. 
Denize Domingos 



                                                  Adriano Correia de Oliveira 
                                                            Canção Terceira




                                                   




                                         Fundo do Mar - Poema de Sophia de Mello Breyner

















quarta-feira, 18 de junho de 2014








VESTÍGIOS    AÇORIANOS 



As marés do atlântico, levaram para longe os filhos de Portugal. À revelia  de  redes e anzóis, ele brada ao continente, se fazendo escutar.  Saudosa, distante das  ilhas dos açores, durante o dia, ela semeava a terra. As lavouras  douradas de trigo,  lembravam-na das  ondas  inquietas, resplandecendo o horizonte.  Em noites insones,  se dispersava, sentindo no ar o aroma  trazido de tão distante, pela  brisa do oceano, vagando lânguida nos pampas, guardando  consigo...    os segredos do mar.

DD


Imagem: Caminhodasemoções.blogspot



voz  e aroma   
 
            
A brisa vaga no prado,
Perfume nem voz não tem;
Quem canta é o ramo agitado,
O aroma é da flor que vem.
 
A mim, tornem-me essas flores
Que uma a uma vi murchar,
Restituam-me os verdores
Aos ramos que eu vi secar...
 

E em torrentes de harmonia
Minha alma se exalará,
Esta alma que muda e fria
Nem sabe se existe já.
                         
 Almeida Garrett 

 Um dos  maiores  poetas   do romantismo português. 
(Porto4 de fevereiro de 1799 — Lisboa9 de dezembro de 1854)





                                                                                          Ao Longe o MAR
                                                                                                Madredeus  



segunda-feira, 16 de junho de 2014



Vestígios  Açorianos 

Maragatos ou Chimangos 

Eles  defendiam   ideais   com  palavras bonitas  nos lábios, garruchas  e espadas  nas  mãos...  E  lanceiros negros, a frente dos exércitos  republicanos ou  imperialistas, dando cobertura  a  generais e soldados


Imagem: goncalodecarvalho.blogspot.com  

Piratini, a primeira capital Farroupilha 


janela do sobrado onde se instalou o Ministério da Guerra  Farroupilha durante a revolução.
Foto: Acervo DD






Janela do Palácio do Governo Farroupilha, onde o General Bento Gonçalves acenou para o povo que comemorava a independência da província.
Foto: Acervo DD 



Foto: Acervo DD
Detalhe de um armário secreto, no interior do sobrado onde serviu de Palácio do Governo Farroupilha

Foto: Denize Domingos



Na primeira  capital  Rio-Grandense, em  Piratini, a casa de família, propriedade do Capitão Manuel Gonçalves, abrigou durante a revolução farroupilha, o Palácio do Governo.
Em 1835, O general Bento Gonçalves, foi informado sobre a vitória da batalha travada contra forças imperiais, conhecida como a batalha do seival, comandada pelo general Antonio de Souza Neto. Sem o conhecimento do líder farroupilha, Bento Gonçalves, General Neto proclama  a independência da província, tornando-a uma nação republicana independente.  No local onde os lideres farroupilhas se encontravam para definirem estratégias de guerra, o Presidente da Republica Piratini  debruça-se  na janela do sobrado, saudando  maragatos e o povo da província, que tornara-se capital.  Diante  da janela, com a bandeira republicana  hasteada, um oratório  disfarça uma passagem secreta. Por tras da porta, sempre cerrada, há um balcão, onde as mulheres e crianças se escondiam  protegendo-se  de ataques. Nem um  líder revolucionário, estrategistas de guerras, permitiam ou ensinavam  mulheres a usarem armas, para defenderem-se  de abusos. 


A terceira, dos dez filhos do casal Bento e Maria Antônia, descendentes de imigrantes açorianos, após a morte do pai e o casamento da irmã mais velha, teve que ajudar no sustento da família. Por insistência da mãe, casou-se aos quatorze anos de idade, com Manuel Duarte de Aguiar, em 30 de agosto de 1835. Três anos depois, o marido alistou-se no exército imperial, abandonando a jovem esposa. 
...Uma história bastante comum, não fosse a jovem, uma Anita, ou não houvesse um Giuseppe Garibaldi, cruzado o seu caminho. A grande heroína, sem família nem lar,    certamente teria um destino bem diferente,  seguindo um  homem  com   lenço branco amarrado no pescoço, ou um maragato valente,que a escondesse dentro de um armário 



Denize Domingos







Sete Luas 
Fafá de Belém 







sexta-feira, 13 de junho de 2014



Vestígios   açorianos 
















Igreja Matriz de Santo Antonio da patrulha
Foto: acervo DD

A presença dos casais açorianos em Santo Antônio da Patrulha deu-se por volta de 1760, sendo alguns fugidos de Rio Grande devido a invasão de espanhóis e outros avulsos. Mas só em 1771 que oficialmente o Governador da Capitania recebeu ordens de assentar casais açorianos em Santo Antônio da Patrulha. Os imigrantes recebiam  pedaços de terra de tamanho variável. Segundo o Monsenhor Ruben Neis, foram 28 casais que se localizaram entre a sede do povoado (hoje a Vila de Santo Antônio da Patrulha) e as terras da Lagoa dos Barros. Alguns imigrantes abandonaram suas datas buscando terras em outras localidades, enquanto outros ilhéus ou descendentes os sucediam. A partir daí torna-se morfologicamente definido o primeiro núcleo de povoamento, que é hoje um núcleo histórico localizado na Cidade Alta.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.














































quinta-feira, 5 de junho de 2014

                                                                                                                                  Vestígios  Açorianos 

O que significa este projeto?


Idealizadora:  Denize Domingos 
Produtora Cultural: Renata Beker



Este projeto cultural, em síntese, trata-se de uma homenagem ao
povo açoriano. Através da integração das artes plásticas, literatura e história, proponho uma viagem ao passado. As placas de cerâmica, ilustradas com imagens peculiares de cada cidade contemplada pelo projeto, retratam antigos azulejos do período colonial,resgatando a presença do povo açoriano. Vestígios do passado, são capturados por lentes de uma câmera fotográfica. Mas...  é a sutil e criativa presença do artista, que atravessa as fronteiras do passado, escutando  confissões reveladas  por paredes  que  ocultam muitos segredos. Ao andarem pelas ruas destas cidades, vão se deparar com alguns destes azulejos, isso, sera um convite, para que mergulhem no passado. Cada cidade, recebera um catalogo, contendo informações históricas referentes as imagens, fotografias e sobre tudo... 
... Alguns segredos de família  




  Imagem Blog Trajes típicos


Brasil, Gravataí RS 05 de junho de 2014



Projeto Vestígios Açorianos

A realização deste projeto, não seria possível sem a participação e colaboração de algumas pessoas, e a simpatia de muitos. Todas esperam ansiosas verem as placas de azulejos em estilo açoriano, instaladas nas faxadas de prédios, espalhadas em quatorze cidades gauchas. Estas placas serão ilustradas com prédios, monumentos, construções de diferentes épocas e estilos, retratando a história de cada cidade, mostrando seus diferenciais, integrando-as na homenagem ao povo açoriano. O Porto, que em 1752 recebeu os sessenta casais açorianos, que desembarcaram na vila de Rio Grande e estavam em transito para as missões, ficou conhecido como o porto dos casais, tornando-se um Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. As dez peças de azulejos que serão colocadas no antigo porto dos casais,terão suas replicas enviadas a Portugal, aos cuidados do escritor Vicktor Reis. Alem das placas, cada cidade recebera um catalogo, com alguns textos e imagens. Este trabalho, trata-se de uma integração de artes plasticas, literatura e história. Agradeço a todos, que de alguma forma contribuíram e estão participando desta homenagem ao povo açoriano:

Pró Cultura do estado, Renata Becker, Ana Mafra, Fundarc Gravataí, Caergs - Casa dos Açores do RS, Claudio Wurlitzer, Cristina Pacheco,Gerson Jung, Ananda Jung, e.... todos os outros que fazem parte desta história. 

Meu carinho e agradecimento a todos. Denize Domingos







                                             Imagem: devaneiodemulher.blogspot.com

Julho  175 2,   a bordo.

Mãezinha, há seis semanas estamos a navegar, e penso que  se passou uma eternidade. Tão pronto embarcamos no navio os pertences  de todos imigrantes foram revistados. Retiraram armas, diários, papel, tinteiros e penas, para não  registrarmos a agonia  que estamos enfrentando a bordo deste navio. Escondi um papel de embrulho em meu peito, não fui revistada, pois  minha gravidez já é aparente e meus seios estão fartos.  Com um toco de  carvão em  um papel  amassado, escrevo -lhe estas palavras. Nossa  pequena Maria arde em febre, estou desesperada com medo do que possa acontecer. Não posso  demonstrar  meu desespero, tenho medo que todos percebam que esta enferma e arranquem-na de meus braços.  Levariam  minha pequenina  para o porão  do navio,onde ficam os doentes  infectados por cólera, tifo e febre amarela.  De lá só saem mortos, para serem jogados ao mar . Temo que o pior aconteça, então, rezo  e choro baixinho. Alivio-me  lhe escrevendo estas palavras.  Mãezinha, peça a Nossa Senhora  pelo  pronto  restabelecimento de Maria. Manuel é um bom homem, tenta me encorajar.  Dentro  de longas  semanas desembarcaremos no Porto da Vila do Rio Grande, no sul do Brasil. Certamente a coroa Portuguesa providenciou nossa chegada, estarão nos  aguardando no porto,  com  mantimentos, carroças  e  as terras  estarão a nossa espera para serem cultivadas. Tudo que mais desejo é ver a pequena Maria  brincando e correndo livre, com seus cabelinhos soltos, pelas plantações de trigo. Mãezinha, amo muito vocês, sinto muita saudade. Diga ao pai que me perdoe por todo o desgosto que causei. Mandarei  recursos  assim  que nos estabelecermos  em nossas terras e  recebermos  pela venda das primeiras   colheitas.  

Com carinho da filha que vos ama muito. 
Luíza Oliveira da Silva 
DD




                                                          Imagem: pt.wikipedia

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vestígios Açorianos

                                                      VESTÍGIOS  AÇORIANOS 

 imagens ilustradas em azulejos, revelando histórias do passado...













Titulo: Chegada dos Casais Açorianos (foto),  de Augusto Luiz de Freitas,
Acervo do  IE Instituto de Educação de Porto Alegre

Homenagem aos imigrantes que não  chegaram no Brasil.  

Brasil, Vila do Rio Grande,  Maio de 1752

Estimado irmão
Pedro, valoroso amigo e irmão mais velho,  a muito tempo dividimos alegrias, angustias e segredos, ainda preciso  de ti. Já a alguns meses, todos que  resistimos a viagem, chegamos no Sul do Brasil, aportando  na  Vila do Rio Grande, rumando  esperançosos as Missões.
Os ilhéus,  assim somos  denominados,  ainda não fomos  assentados  nas terras  prometidas pela coroa Portuguesa,  tão pouco, obtivemos  dela, qualquer recurso.  Aqui há  muitas terras férteis, mas  passamos  por muitas necessidades. Há  precariedade de  abrigos, privações de remédios, mantimentos, ferramentas  e  escassez  de mudas e sementes para  plantio.
 O quarto de légua em quarto, concedido por cabeça de casal  imigrante,  ainda não foram demarcados.  Estamos nos alimentando precariamente com frutas, alguns legumes e hortaliças de fácil plantio e rápido crescimento. Os casais com crianças tem dificuldade em conseguir  uma vaquinha para ordenha. Nossos sonhos  são como  as  plantações de trigo, precisam  serem  semeados  em terrenos férteis onde  possam serem  cultivados e colhidos.  Amanha sedo,  surge uma nova esperança, sessenta casais serão conduzidos  até o Porto de Viamão, na sesmaria de Gerônimo de Ornellas. Estes  sessenta casais  serão os primeiros  ilhéus que  de lá,  partirão para povoarem alguma vila ou freguesia, onde se estabelecerão  em suas terras, para  começarem uma nova vida, impulsionado o desenvolvimento de uma nova cidade colonizada por nós.  
Querido irmão, parto para esta nova vida com metade de meu peito dilacerado. Sinto  informar-lhe que minha adorada esposa e filha não resistiram as agruras da viagem.  A pequena Maria adoeceu  depois de algumas semanas a bordo do navio. A água que  bebíamos era pútrida. Maria foi  definhando aos poucos e Luíza, não permitiu que a tirassem de seus braços para  resguardá-la em quarentena no porão. Minha amada companheira também  adoeceu,  vindo a falecer poucos dias depois de nossa pequenina.  Penso que Luiza  morreu de tristeza por  sentir o infortúnio de ter o corpinho de Maria inerte e gelado  junto ao dela.
Peço-lhe  a caridade de  guares este segredo, não contes  a ninguém, pois de nada adiantaria dividir com mais alguém o meu arrependimento e remorso por ter  embarcado nesta  ambiciosa aventura  arrastando comigo meu maior tesouro.
Os pais de Luiza se  horrorizariam  sabendo que a única filha e amada neta, flutuam  em desalento no mar, tendo suas almas vagando  pela praia, sem terem recebido as bênçãos de um santo padre. Rezo por elas a cada momento de minha triste vida, daqui pra frente, sei que meus dias serão eternamente gris.
Fecho meus olhos e as vejo, envoltas em velhas e manchadas lonas, amarradas em  desfiadas cordas, sendo lançadas ao mar. Com elas, foi-se  parte de mim, naufragaram  meus sonhos, e assim como eu, outras  almas entristecidas  precisam seguir vivendo.     Logo após desembarcar no porto da vila de Rio Grande, conheci uma viúva que   viajou no navio em que eu estive. Ela  também lamenta  a morte do marido. Sem  ilusões  no futuro,  unimos nossos destinos,  para compartilharmos  o pouco que nos restou de esperança.  Seremos um destes sessenta casais, que ao amanhecer estará  partindo uma vez  mais  para uma nova aventura.  Ao desembarcarmos  em algum  lugar longe da nossa querida ilha dos açores, qualquer porto será para nós o porto da saudade,  das dores ou de  Dolores, que será  no futuro, um Porto Alegre, pois   nossos descendentes açorianos, não saberão  da angustia que vivemos. Seremos lembrados por nossa coragem e espirito aventureiro, assim  desejamos. Haverão de celebrarem somente nossa coragem e as alegrias trazidas de nossa pequena ilha, e a esperança que para todo o sempre, em  nossas futuras gerações,  há de vingar.
Com saudades do irmão que muito lhe preza

Antonio  Luz Oliveira da Silva


DD  





                                                      Paulo Alexandre - Verde Vinho