quinta-feira, 5 de junho de 2014

                                                                                                                                  Vestígios  Açorianos 

O que significa este projeto?


Idealizadora:  Denize Domingos 
Produtora Cultural: Renata Beker



Este projeto cultural, em síntese, trata-se de uma homenagem ao
povo açoriano. Através da integração das artes plásticas, literatura e história, proponho uma viagem ao passado. As placas de cerâmica, ilustradas com imagens peculiares de cada cidade contemplada pelo projeto, retratam antigos azulejos do período colonial,resgatando a presença do povo açoriano. Vestígios do passado, são capturados por lentes de uma câmera fotográfica. Mas...  é a sutil e criativa presença do artista, que atravessa as fronteiras do passado, escutando  confissões reveladas  por paredes  que  ocultam muitos segredos. Ao andarem pelas ruas destas cidades, vão se deparar com alguns destes azulejos, isso, sera um convite, para que mergulhem no passado. Cada cidade, recebera um catalogo, contendo informações históricas referentes as imagens, fotografias e sobre tudo... 
... Alguns segredos de família  




  Imagem Blog Trajes típicos


Brasil, Gravataí RS 05 de junho de 2014



Projeto Vestígios Açorianos

A realização deste projeto, não seria possível sem a participação e colaboração de algumas pessoas, e a simpatia de muitos. Todas esperam ansiosas verem as placas de azulejos em estilo açoriano, instaladas nas faxadas de prédios, espalhadas em quatorze cidades gauchas. Estas placas serão ilustradas com prédios, monumentos, construções de diferentes épocas e estilos, retratando a história de cada cidade, mostrando seus diferenciais, integrando-as na homenagem ao povo açoriano. O Porto, que em 1752 recebeu os sessenta casais açorianos, que desembarcaram na vila de Rio Grande e estavam em transito para as missões, ficou conhecido como o porto dos casais, tornando-se um Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. As dez peças de azulejos que serão colocadas no antigo porto dos casais,terão suas replicas enviadas a Portugal, aos cuidados do escritor Vicktor Reis. Alem das placas, cada cidade recebera um catalogo, com alguns textos e imagens. Este trabalho, trata-se de uma integração de artes plasticas, literatura e história. Agradeço a todos, que de alguma forma contribuíram e estão participando desta homenagem ao povo açoriano:

Pró Cultura do estado, Renata Becker, Ana Mafra, Fundarc Gravataí, Caergs - Casa dos Açores do RS, Claudio Wurlitzer, Cristina Pacheco,Gerson Jung, Ananda Jung, e.... todos os outros que fazem parte desta história. 

Meu carinho e agradecimento a todos. Denize Domingos







                                             Imagem: devaneiodemulher.blogspot.com

Julho  175 2,   a bordo.

Mãezinha, há seis semanas estamos a navegar, e penso que  se passou uma eternidade. Tão pronto embarcamos no navio os pertences  de todos imigrantes foram revistados. Retiraram armas, diários, papel, tinteiros e penas, para não  registrarmos a agonia  que estamos enfrentando a bordo deste navio. Escondi um papel de embrulho em meu peito, não fui revistada, pois  minha gravidez já é aparente e meus seios estão fartos.  Com um toco de  carvão em  um papel  amassado, escrevo -lhe estas palavras. Nossa  pequena Maria arde em febre, estou desesperada com medo do que possa acontecer. Não posso  demonstrar  meu desespero, tenho medo que todos percebam que esta enferma e arranquem-na de meus braços.  Levariam  minha pequenina  para o porão  do navio,onde ficam os doentes  infectados por cólera, tifo e febre amarela.  De lá só saem mortos, para serem jogados ao mar . Temo que o pior aconteça, então, rezo  e choro baixinho. Alivio-me  lhe escrevendo estas palavras.  Mãezinha, peça a Nossa Senhora  pelo  pronto  restabelecimento de Maria. Manuel é um bom homem, tenta me encorajar.  Dentro  de longas  semanas desembarcaremos no Porto da Vila do Rio Grande, no sul do Brasil. Certamente a coroa Portuguesa providenciou nossa chegada, estarão nos  aguardando no porto,  com  mantimentos, carroças  e  as terras  estarão a nossa espera para serem cultivadas. Tudo que mais desejo é ver a pequena Maria  brincando e correndo livre, com seus cabelinhos soltos, pelas plantações de trigo. Mãezinha, amo muito vocês, sinto muita saudade. Diga ao pai que me perdoe por todo o desgosto que causei. Mandarei  recursos  assim  que nos estabelecermos  em nossas terras e  recebermos  pela venda das primeiras   colheitas.  

Com carinho da filha que vos ama muito. 
Luíza Oliveira da Silva 
DD




                                                          Imagem: pt.wikipedia

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