segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Vestígios Açorianos 


Um pouco de realismo a ficção 





A COLONIZAÇÃO AÇORIANA NO RIO GRANDE DO SUL 
(1752-63)*

...Segundo Oswaldo Rodrigues Cabral, "não é de admirar, com semelhantes disposições, que a viagem se transformasse num verdadeiro tormento, principalmente para as mulheres para as crianças que lhes faziam companhia, as quais, não poucas, não puderam resistir, adoecendo e morrendo durante os meses da travessia". Infelizmente, "muitos dos que abandonaram as ilhas na esperança de melhores dias no Brasil desejado, foram sendo sepultados nas águas do Atlântico, com os seus sonhos e com as suas ilusões. E os que resistiram chegaram ao seu destino como verdadeiros espectros". Com a deterioração da água após poucos dias e com a alimentação "exclusivamente composta de gêneros em conserva, pobre de víveres frescos, começassem já os viajantes a sofrer as conseqüências, com o aparecimento das mais variadas afecções. Na promiscuidade dos alojamentos, as afecções iam passando de uns para os outros. Surgia a parasitose. Surgiam as disenterias. E, com o decorrer dos dias, quando a viagem se adiantava, em meio do caminho entre o céu e o mar, aparecia o pior: o mal de Luanda". O pesquisador da temática açoriana João Borges Fortes, no livro Casais, relatou que, em 1750, Francisco de Souza Fagundes substituíra Feliciano Velho Oldenberg no transporte dos açorianos ao Brasil. Porém, o tratamento não melhorou. Um navio levava até três meses de viagem até à Ilha de Santa Catarina, e, quando nesta chegava, "eram doentes, mortos e moribundos no meio de um montão de estropiados que desembarcavam, num desfile tétrico ante o povo e autoridades". Manuel Escudeiro de Souza, governador da Ilha de Santa Catarina, fez um relato ao rei sobre um desembarque dos migrantes. "Três navios haviam chegado com pouca diferença um do outro. O último aportou no dia 20 de janeiro (1750), trazendo mortos 10 adultos e dezesseis crianças, outros morreram ao desembarcar, e 130 se recolheram doentes a dois hospitais, com malignas e correição escorbútica."Borges Fortes também se refere à desgraça que atingiu duas outras embarcações: "A 23 e 25 de maio desse terrível ano de 1753, ocorreu o doloroso naufrágio de duas sumacas carregadas de famílias açorianas que se encaminhavam para o Sul. O trágico acontecimento deu-se na barra Sul de Santa Catarina, na ponta da Ilha, que desse fatal sucesso recebeu o nome sinistro de Ponta dos Naufragados. Dos infelizes náufragos, só se salvaram 77 pessoas, que tudo perderam do que lhes pertencia, tendo de recorrer à bondade de seus semelhantes e do governo local, sendo todos de manifesta generosidade para com os desgraçados. Desses 77 salvos, poucos foram para o Rio Grande, a maior parte preferiu estabelecer-se na Vila Nova da Laguna, hoje cidade de Imbituba. Temos portanto, positivamente, que, até o ano de 1753, a estatística de 278 casais entrados no Rio Grande não sofreu oscilação sensível, portanto os desastres marítimos não permitiram acrescentar o saldo das remessas".
Constata-se que a viagem era o primeiro grande desafio a ser vencido. Tanto na rota Açores-Santa Catarina quanto na viagem em embarcações menores para Rio Grande. Desafio que seria acrescido de outros, ligados a posse da terra, à produção agrícola, à adaptação.....

Parcial Texto   de Luiz Henrique Torres

  
 Imagem  retirada de algum blog 

A história  factual frequentemente difere  da história oficial , registrada em livros, muitas vezes tendenciosos.   Os muitos  açorianos que embarcaram em contingentes navios, enfrentaram condições precárias. Ariscaram-se em busca de seus sonhos e  futuro melhor. Mas  cada um,  fez a  sua própria história, intima e singular, de acordo com motivações,  valores pessoais e morais, indescritíveis e incompreensíveis, pois trata-se de emoções e não apenas fatos e datas.  Algumas pessoas me questionaram porque eu não ressaltei a alegria, coragem e otimismo característico do povo açoriano.  ... É  que aqui neste  blog,procuro resgatar fragmentos,possibilitando uma breve reflexão por parte daqueles que   possivelmente, nunca enfrentaram um naufrágio, estando acostumados a desbravar o mundo incógnitos, navegando em segurança nos mares da internet, ou em  transportes seguros, em primeira classe, ou ainda, de carona, como curiosos turistas. 

Viajantes dos mares , ares, estradas, das janelas e do tempo, estamos apenas de passagem neste mundo, tão carente de compreensão, afetos  e poesia. 

  Denize Domingos
      




                                         Imagem retirada de algum blog

Tempestade em Alto mar,  YouTube 






                                                               O sonho
                                                             Madre Deus

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