terça-feira, 16 de setembro de 2014

Vestígios  Açorianos 




Histórias que se perderam  no tempo

Preparo-me para iniciar a próxima etapa deste  trabalho, visitando  catorze cidades participantes do projeto. Será exposto  neste blog as  imagens  registradas. Previamente selecionei alguns municípios de colonização açoriana,  havendo "ancorado" em cada uma delas.  Com um olhar atento a tudo que remete ao passado, me deixo levar no tempo. Crio supostas histórias,  podendo ou não, terem sido vividas por alguma imigrante que zarpou da ilha  do faial, mas continuou  presa  a ela,  sonhando com noites de lua cheia, embaladas por canções com cheiro de mar. 



                Imagen de algum blog 


      Em algum antiquário 

...  Exposta num antiquário, dispersa em um canto pouco iluminado, a penteadeira do século XVII em bom estado, apresentava  algumas marcas na madeira. Mas uma mancha azul anil, contrastando com o tom avermelhado do mogno chamava a atenção. Certamente, o móvel apropriado  para guardar  perfumes, jóias, escovas e outros objetos pessoais,  havia sido usado como escrivaninha, por alguém que  via a própria imagem refletida diante do espelho enquanto registrava suas memórias . A mancha de tinta sugeria diversas situações:  Distração de quem  manuseava a pena, sonolenta,esbarrou sobre o  tinteiro.  O descuido de uma criança. ou quem sabe, um movimento brusco, de quem foi  flagrada anotando pensamentos. Ao lado do clássico móvel, um baú atraia a atenção de quem procura curiosidades, contando histórias  parcialmente reveladas através de pequenos objetos, fotografias, e pedaços de vida manuscritas em paginas desmembradas de um contesto.  






Noite de Tempestade em alto mar




.... Sonhava que os lençóis eram as ondas do mar, e tuas mãos  mantinham aquecido o meu corpo.  Em meus sonhos, o mar transborda, chegando bem próximo  de mim, onde quer que eu esteja. A cada légua que me distancio da ilha do Faial, meu coração vai se fragmentando, sinto-me como o arquipélago dos açores, depois de sofrer um grande abalo sísmico. Acordei com gritos, é noite  de   tempestade,  o barulho das ondas jogando-se furiosas sobre o navio, esta desestabilizando a embarcação. Estamos próximos do continente brasileiro. Um rochedo inclemente, espera que o barco se choque contra ele, para que a  filha de Portugal  seja lançada ao mar. Tranquei-me na cabine, só eu e meu diário, rabisco absurdas  palavras enquanto  penso que   o barco vai afundar. 






Meu querido diário...
guardo em  tuas folhas meus segredos, manuseando  habilmente a  colorida  pena de falcão, afogando o  rígido bico de metal impetuosamente mergulhado no  solicito tinteiro. Livro de fantasiosas histórias, deito em ti minhas palavras, inundadas de sentimentos.   És vós, o leito das minhas intempestivas emoções, expressas em frases, delineadas  pelo  bico de pena  sobre o  papel. Entre eles, há a leveza da pluma, a  metódica das linhas, e um  infinito abismo   que os separa.  O paralelo mundo traçado no papel, torna inacessíveis as palavras.  Este imensurável  vazio,  me diz do tempo que passa tão veloz e o silencio que berra em meus ouvidos. 
                                                    Alfonsina querendo dormir  !






                                              Ana Moura- Por Minha Conta 




                                                                                            Textos: Denize  Domingos 











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