Histórias que se perderam no tempo
Preparo-me para iniciar a próxima etapa deste trabalho, visitando catorze cidades participantes do projeto. Será exposto neste blog as imagens registradas. Previamente selecionei alguns municípios de colonização açoriana, havendo "ancorado" em cada uma delas. Com um olhar atento a tudo que remete ao passado, me deixo levar no tempo. Crio supostas histórias, podendo ou não, terem sido vividas por alguma imigrante que zarpou da ilha do faial, mas continuou presa a ela, sonhando com noites de lua cheia, embaladas por canções com cheiro de mar.
Imagen de algum blog
Em algum antiquário
... Exposta num antiquário, dispersa em um canto pouco iluminado, a penteadeira do século XVII em bom estado, apresentava algumas marcas na madeira. Mas uma mancha azul anil, contrastando com o tom avermelhado do mogno chamava a atenção. Certamente, o móvel apropriado para guardar perfumes, jóias, escovas e outros objetos pessoais, havia sido usado como escrivaninha, por alguém que via a própria imagem refletida diante do espelho enquanto registrava suas memórias . A mancha de tinta sugeria diversas situações: Distração de quem manuseava a pena, sonolenta,esbarrou sobre o tinteiro. O descuido de uma criança. ou quem sabe, um movimento brusco, de quem foi flagrada anotando pensamentos. Ao lado do clássico móvel, um baú atraia a atenção de quem procura curiosidades, contando histórias parcialmente reveladas através de pequenos objetos, fotografias, e pedaços de vida manuscritas em paginas desmembradas de um contesto.
Noite de Tempestade em alto mar
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.... Sonhava que os lençóis eram as ondas do mar, e tuas mãos mantinham aquecido o meu corpo. Em meus sonhos, o mar transborda, chegando bem próximo de mim, onde quer que eu esteja. A cada légua que me distancio da ilha do Faial, meu coração vai se fragmentando, sinto-me como o arquipélago dos açores, depois de sofrer um grande abalo sísmico. Acordei com gritos, é noite de tempestade, o barulho das ondas jogando-se furiosas sobre o navio, esta desestabilizando a embarcação. Estamos próximos do continente brasileiro. Um rochedo inclemente, espera que o barco se choque contra ele, para que a filha de Portugal seja lançada ao mar. Tranquei-me na cabine, só eu e meu diário, rabisco absurdas palavras enquanto penso que o barco vai afundar.

Meu querido diário...
guardo em tuas folhas meus segredos, manuseando habilmente a colorida pena de falcão, afogando o rígido bico de metal impetuosamente mergulhado no solicito tinteiro. Livro de fantasiosas histórias, deito em ti minhas palavras, inundadas de sentimentos. És vós, o leito das minhas intempestivas emoções, expressas em frases, delineadas pelo bico de pena sobre o papel. Entre eles, há a leveza da pluma, a metódica das linhas, e um infinito abismo que os separa. O paralelo mundo traçado no papel, torna inacessíveis as palavras. Este imensurável vazio, me diz do tempo que passa tão veloz e o silencio que berra em meus ouvidos.
Alfonsina querendo dormir !
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