VESTÍGIOS AÇORIANOS
As Ilhas dos açores... que ficaram na lembrança
A cada ilha dos Açores, o povo açoriano atribuiu uma cor, distinguindo-as deste modo: Santa Maria - Ilha Amarela (pelas giestas), São Miguel - Ilha Verde (pelos prados e matas), Terceira - Ilha Lilás (pelas latadas de glicínias ou lilases), Graciosa - Ilha Branca (pelas suas rochas claras), São Jorge - Ilha Vermelha (pela flor de café que lá se chegou a cultivar), Pico - Ilha Preta (pela rocha vulcânica), Faial - Ilha Azul (pelos "novelos" de hortênsias azuis), Flores - Ilha Rosa (pelas azáleas) e Corvo - Ilha Castanha (pelas vacas corvinias).
Pesquisa:WWW.azores.islandas
Nas cidades gauchas, a arquitetura luso açoriana, relativamente preservada, é sobreposta por ecléticos e modernos estilos, enfatizando o progresso. Os antigos casarões, guardam histórias e dão um toque nostálgico as cidades, estabelecendo elo com o passado. A importância de restauros, impedindo que se perca parte da história, é defendida por leis de incentivo a cultura e patrimônio histórico.
Mas aqui,
neste espaço, tentei restaurar emoções,
suplantadas pelo tempo, que apaga distantes vestígios açorianos
Atualmente, não necessitamos nos submetermos a grandes riscos e desafios para atravessarmos oceanos, enfrentar tempestades, vencer tantos medos, desbravarmos novos continentes, rasgar o céu para alcançarmos o horizonte. As informações e conhecimentos estão disponíveis de diversas formas, guardadas em prateleiras, nas salas de aulas, em janelas abertas para o mundo.
Luana, a jovem descendente da imigrante Alfonsina, que chegou no Rio Grande em 1752, comoveu-se ao ler todas as cartas e diário que a camponesa havia guardado durante toda a sua vida. Os primeiros registros datavam de 1749. Alfonsina era analfabeta quando abandonou a ilha do Faial. Trouxe com ela, junto com poucos pertences, conchas marinhas, uma pequena caixa de madeira, o diário, contendo na primeira pagina as seguintes palavras:
Ilha do Faial, Portugal, 1749 Convento do Carmo
Minha doce e rebelde afilhada Alfonsina, saibas que onde tu estiveres, meus pensamentos e orações estarão sempre contigo. Ainda que nunca tenhas decorado as orações e salmos que te ensinei, nem te dedicado a aprender a ler e escrever, sei que teu coração guardará ou libertará as palavras que jamais deverão serem pronunciadas a pessoas que não as compreendam, não desejem ou não mereçam escuta-las. Conserve sempre teu sorriso, mesmo que ele esconda tristeza, afastando de ti, todas as mágoas. A vida é um grande espelho e sorrirá para ti. Perdoe os que forem intolerantes contigo, e busque o perdão daqueles que tu ofendeu. Saibas, que nem um pecado e maior que a misericórdia e bondade de Deus. Se teu coração sonhador, for maior que a tua virtude,te arrastando por caminhos obscuros, saibas que um amor verdadeiro, jamais deixara que tu te percas. Do contrário, prefiras andar sozinha. Sejas sempre agradecida aqueles que te amam e confiam em ti, e mereça o amor de quem te cativou. Sempre vi em teus olhos um brilho intenso, ardente como uma chama, que só se apagará quando as lagrimas dos teus olhos dissiparem para sempre a nevoa que te cega.
E por fim, minha querida, nunca esqueça desta tua madrinha, e se puder aliviar teu coração, saibas que quando fiz meus votos, tornei-me uma carmelita descalça. Não permita que te castiguem por não usares meias brancas, andar descalça na areia, nos campos, na terra... Pise suavemente nas nuvens,sentindo que há algo sustentando teu ser, quando acreditares que não há chão embaixo de teus pés, sentindo-te a deriva de teus passos indecisos e inseguros. Não deixe, minha preciosa flor, que arranquem os espinhos que te protegem, dilacerem as pétalas que fazem de ti um ser completo e único.
Guarde este diário como um carinho meu, mesmo que ainda não consigas decifrar estas linhas delineadas de forma confusa para teus olhos. Sei que um dia elas terão significado para ti, quando aprenderes a decifra-las, quando a nevoa que inebria tua consciência, se esvair iluminando tua vida.
Com todo o meu amor, a minha menina, para sempre.
Irmã Tereza de Paula
Imagem retirada de algum blog
No convés do barco, Alfonsina rabiscava seus enigmas, chamou a atenção de um rapas, que solidário a ensinou a ler e escrever. A dedicação e falta de outras atividades contribuíram para o rápido aprendizado, e a camponesa passou a escrever as cartas que nunca enviou. Em alto mar, em momentos de náuseas, febre, medo, saudades, dúvidas, ela registrava recordações ou delírios, que não tem nenhuma relevância histórica, mas foram guardados como relíquia, compondo fragmentos do passado de Alfonsina.
Ana Moura
A Penumbra
Imagens retiradas da internet
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