quarta-feira, 27 de agosto de 2014



VESTÍGIOS AÇORIANOS
               

 As Ilhas dos açores... que ficaram na lembrança 



Os Açores são um arquipélago que contém nove majestosas  ilhas, sendo estas batizadas cada qual com o seu nome. Deste modo, no testamento do Infante D. Henrique (1460), as ilhas do arquipélago foram designadas da seguinte forma: Santa Maria, São Miguel, Ilha de Jesus Cristo, Graciosa, S. Luís, S. Dinis, São Jorge, Santa Iria e S. Tomás.Tradicionalmente, associa-se os nomes dados de acordo com o calendário litúrgico,ou seja: São Miguel teria sido encontrado no dia de São Miguel e assim sucessivamente.   Outros investigadores acreditam que Santa Maria e São Miguel têm esses nomes devido à devoção do Infante D. Henrique e D. Pedro por esses santos, visto que os nomes da maior parte das ilhas estão associados À Ordem de Cristo, da qual o Infante D. Henrique era Mestre.  Assim podemos ver que o nome D. Dinis era do rei que constituiu a Ordem de Cristo; Santa Iria era a santa mártir, natural de Tomar, sede da Ordem; S. Tomás seria o santo a quem é dedicada a capela do Convento de Tomar; Jesus Cristo era o próprio nome da Ordem e São Luís o santo de que o Infante D Henrique era também muito devoto. Algumas destas ilhas mantiveram os nomes originais, mas outras modificaram, como é o caso da Ilha de Jesus Cristo que passou para Terceira (por ter sido a terceira a ser encontrada), a Ilha de S. Luís conhecida atualmente por Faial; a ilha de S. Dinis por Pico (devido à elevação ao centro que constitui o ponto mais alto de Portugal). Santa Iria dá lugar a Flores e S. Tomás passa a Corvo.
A cada ilha dos Açores, o povo açoriano atribuiu uma cor, distinguindo-as deste modo: Santa Maria - Ilha Amarela (pelas giestas), São Miguel - Ilha Verde (pelos prados e matas), Terceira - Ilha Lilás (pelas latadas de glicínias ou lilases), Graciosa - Ilha Branca (pelas suas rochas claras), São Jorge - Ilha Vermelha (pela flor de café que lá se chegou a cultivar), Pico - Ilha Preta (pela rocha vulcânica), Faial - Ilha Azul (pelos "novelos" de hortênsias azuis), Flores - Ilha Rosa (pelas azáleas) e Corvo - Ilha Castanha (pelas vacas corvinias).

Pesquisa:WWW.azores.islandas






 Nas cidades gauchas, a arquitetura luso açoriana, relativamente preservada, é sobreposta por  ecléticos e modernos estilos, enfatizando o progresso.  Os antigos casarões, guardam histórias e dão um toque nostálgico as cidades, estabelecendo elo com o passado. A importância de restauros, impedindo que se perca parte da história, é defendida por leis de incentivo a cultura e patrimônio histórico. 
    Mas aqui,
     neste espaço, tentei restaurar emoções,
                                         suplantadas pelo tempo, que apaga  distantes  vestígios açorianos

  
Atualmente, não necessitamos nos  submetermos  a  grandes  riscos e desafios para atravessarmos  oceanos,  enfrentar tempestades, vencer tantos medos, desbravarmos novos continentes, rasgar o céu para alcançarmos  o horizonte.  As informações e conhecimentos estão disponíveis de diversas formas, guardadas  em prateleiras, nas salas de aulas, em janelas abertas para o mundo. 
Luana, a jovem descendente  da imigrante  Alfonsina,  que chegou no Rio Grande em 1752, comoveu-se ao  ler  todas as cartas e diário que  a camponesa  havia guardado durante toda a sua vida. Os primeiros registros datavam de 1749. Alfonsina era analfabeta quando abandonou a ilha do Faial. Trouxe com ela, junto com poucos pertences, conchas marinhas, uma pequena caixa de madeira,  o diário,  contendo na primeira pagina  as seguintes palavras:



Ilha do Faial, Portugal, 1749 Convento do Carmo

Minha doce e  rebelde  afilhada Alfonsina, saibas que onde tu estiveres, meus pensamentos e orações  estarão sempre contigo. Ainda que nunca tenhas decorado as orações e salmos que te ensinei, nem te dedicado a aprender a ler e escrever, sei que  teu coração guardará ou libertará  as palavras que jamais deverão serem pronunciadas a pessoas que não as compreendam, não desejem ou não mereçam escuta-las. Conserve sempre teu sorriso, mesmo que ele esconda  tristeza,  afastando de ti, todas as mágoas. A  vida é   um  grande espelho e sorrirá para ti. Perdoe os que   forem  intolerantes contigo, e busque o perdão daqueles que tu ofendeu. Saibas, que nem um pecado e maior que a misericórdia e bondade de Deus. Se teu coração sonhador, for maior que a tua virtude,te  arrastando  por caminhos obscuros, saibas que um amor verdadeiro, jamais  deixara que tu te percas. Do contrário, prefiras andar sozinha. Sejas sempre agradecida  aqueles que te amam e confiam em ti, e mereça o amor de quem te cativou. Sempre vi em teus olhos um brilho  intenso, ardente como uma chama, que só se apagará quando as lagrimas dos teus olhos  dissiparem  para sempre a  nevoa que te cega. 
E por fim, minha querida, nunca esqueça desta  tua madrinha, e se puder  aliviar teu coração, saibas que quando fiz meus votos, tornei-me uma carmelita descalça. Não permita que te castiguem por não usares meias brancas, andar descalça na areia, nos campos, na terra... Pise suavemente nas nuvens,sentindo que há algo  sustentando teu ser, quando acreditares que não há chão embaixo de teus pés, sentindo-te a deriva de teus passos indecisos e inseguros. Não deixe, minha preciosa flor, que arranquem os espinhos que te protegem, dilacerem as pétalas que fazem de ti um ser completo e único. 
Guarde este diário como um carinho meu, mesmo que ainda não consigas decifrar estas linhas delineadas de forma confusa para teus olhos. Sei que um dia elas terão significado para ti, quando aprenderes a decifra-las, quando a nevoa que inebria tua consciência, se esvair iluminando tua vida. 

Com todo o meu amor, a minha menina, para sempre.
Irmã Tereza de Paula  





Imagem retirada  de algum blog


...A bordo do navio, durante os longos meses em que Alfonsina navegava, o barco debatia-se contra as ondas, tentando impedir que os filhos de Portugal fossem para longe. A camponesa aprendeu a ler e escrever. Antes disso, ela delineava alguns rabiscos, delicados desenhos e símbolos, que certamente, somente para ela tinham algum significado. Entre as folhas, ela guardava pétalas de flores, trevos e uma cravina mantendo ainda um rastro de perfume, preenchia  as folhas em branco de um diário queza vazio.
No convés do barco, Alfonsina rabiscava seus enigmas, chamou a atenção de um rapas, que solidário a ensinou a ler e escrever. A dedicação e falta de outras atividades contribuíram para o rápido aprendizado, e a camponesa passou a  escrever as cartas que nunca enviou. Em alto mar, em momentos de náuseas, febre, medo, saudades, dúvidas,  ela registrava  recordações  ou delírios, que  não tem nenhuma  relevância  histórica, mas foram guardados  como relíquia, compondo fragmentos do passado de  Alfonsina. 

Denize Domingos



                                                               



     



                                                                    Ana Moura
                                                                  A Penumbra




                                                               Imagens retiradas da internet 

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